quarta-feira, 19 de maio de 2010

Presença

É preciso que a saudade desenhe as tuas linhas perfeitas, o teu perfil exacto e que, apenas, levemente, o vento das horas ponha um ruído nos teus cabelos...
É preciso que a tua ausência emita com argúcia, no ar, a trevo machucado, as folhas de alecrim desde à muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminoso, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto -- em mim -- a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outro e múltiplo e imprevisto que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar os olhos para voltar a ver-te.

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